Quantcast
Channel: Fantastic - Cultura na palma da tua mão
Viewing all articles
Browse latest Browse all 14888

TOGI - Capítulo 15

$
0
0

"TOGI"é uma web-série original, da autoria de Ricardo Reis, que conta a história de Tobias, Otávia, Guilherme, Ivã e Ivo,  seis estudantes de uma universidade lisboeta. Todos eles são bem diferentes, mas têm algo em comum: as suas escolhas irão mudar para sempre as suas vidas.

[AINDA NÃO LESTE O CAPÍTULO 14? CLICA AQUI]

CAPITULO 15
IVÃ
             
Era mais um dia enorme para Ivã. Primeiro tinha aulas desde manhã cedo até às dezasseis horas e depois tinha de ir trabalhar até às vinte e duas horas. Era uma vida um pouco dura para Ivã mas ele já estava habituado.

Quando Ivã chegou ao GPO ainda todos falavam do que tinha acontecido a Guilherme no fim-de-semana anterior. Alguns falavam com receio. A comunicação social já se tinha deslocado à faculdade para fazer reportagens e coisas do género. Ivã não sabia como mas a noticia do que aconteceu naquela noite chegou a todos os meios de comunicação.

Era fácil saber que as primeiras chuvas do Outono chegavam quando se via um balde no meio do corredor e os pingos de chuva a entrarem no pavilhão. Era o problema das instalações onde o GPO se encontrava há cerca de dez anos. Era instalações provisórias mas já se encontravam nelas há cerca de dez anos, e a cada ano que passava a situação da chuva ia-se agravando. Era rara a sala em que não chovia o que era um grande perigo para os alunos, principalmente as salas de informática.

A manhã passou rapidamente com as duas cadeiras que teve. Ao meio dia foi com a sua prima Madalena à cantina para almoçarem os dois.

- Logo à noite vais lá jantar? – Perguntou Madalena. Estava novamente sozinha porque os seus pais estavam a trabalhar.

- Não posso, hoje trabalho até às dez! Mas amanhã vou lá fazer-te companhia.

Quando os dois acabaram de almoçar chegaram Otávia e Tobias. Como Madalena não tinha aula nenhuma ficou a fazer companhia aos dois enquanto Gustavo se dirigiu para mais uma aula.

Depois das aulas chegou a hora de entrar ao serviço. Trabalhava num pequeno supermercado nos arredores de Lisboa. Era vigilante no local. No mesmo sítio trabalhava o seu colega de faculdade Igor. Igor trabalhava na reposição de produtos não alimentares.
- Então é este ano que acabas o curso? – Perguntou Igor para fazer conversa.

- Ainda não, tenho várias cadeiras em atraso, ainda vou ter de andar lá pelo menos mais dois aninhos. Mas não faz mal, mais vale andar lá por mais tempo mas acabar com uma média melhor do que fazer tudo a correr e acabar com uma média da treta. Também ainda só lá ando há dois anos o curso é três , por isso nunca podia acabar este ano.

- Pois, não me lembrei desse pormenor. – Igor apenas fazia duas cadeiras naquele ano, uma no primeiro semestre e o trabalho de fim de curso no segundo semestre por isso estava quase sempre ausente do GPO. – E já há mais novidades sobre o caso do Guilherme? Aposto que lá só se fala nisso.

- Pois só! Nem a coscuvilheira da Camila conseguiu arranjar um boato melhor para espalhar para ofuscar aquele triste espectáculo.

- Foi muito forte aquilo que aconteceu, é difícil uma pessoa esquecer aquilo que viu de um dia para o outro. E as teorias que se estão a fazer também são muito criativas. A Marília tem-me contado. 
A tarde e o princípio da noite passaram sem grandes problemas. Era um trabalho um pouco monótono. Andar de um lado para o outro a ver se apanhava algum infractor. Mas rapidamente o tempo passara. Naquela noite Ivã comprara vários produtos, entre eles, um saco com gomas e um saco de rebuçados.

Nessa noite não se deslocara directamente para casa. Parou o carro um quarteirão atrás da sua casa, numa pequena urbanização com alguns edifícios mais antigos que os seus. Tocou à campainha do primeiro direito e subiu a pequena escadaria que o levava ao primeiro andar. Foi um menino de sete anos que lhe abriu a porta.

 - Tio! Tio! Ainda bem que vieste tio.

- Desculpem vir-vos incomodar a esta hora mas queria dar um presente a esta peste. – Disse para o casal de meia-idade que se encontrava na sala de estar a ver televisão.

- Estragas esse rapazinho com mimos Ivã! – Respondeu-lhe a mulher com um sorriso no rosto.

- Sabes tio, eu hoje queria ir jogar à bola lá para fora! – Disse o menino um pouco aborrecido.
- Sabes, os teus pais um dia tiveram uma rapariguinha um pouco maior que tu que de um dia para o outro desapareceu depois de sair de casa. Por isso, com medo de te perderem eles não querem que vás sozinho para a rua, ainda és pequeno para isso, esse dia lá chegará.
- Ela também ia jogar à bola? – Perguntou rapidamente o pequeno rapaz.

- Não, ela ia fazer outras coisas e nunca mais voltou pequenote. Mas não falemos mais disto, os teus pais não gostam de recordar essas coisas.

O menino foi para o quarto, deixando Ivã com o casal. Ivã olhou para a fotografia que se encontrava numa mesinha ao pé da lareira. Era Lilia quando era mais nova. Tinha os cabelos compridos e era loira e tinha os olhos azuis. Fazia lembrar-lhe Otávia.

- Se ela não tivesse desaparecido, eu diria que ele era vosso filho. – Disse a mulher com um sorriso triste nos lábios.

- Lá estás tu a delirar mulher! Deixa o rapaz em paz. – Disse o velho homem. Desde que a filha desaparecera o homem era um pouco mais fechado que anteriormente. 

- Não tem importância. Este menino foi um anjo caído do céu para vocês, apareceu nas vossas vidas quando ela desapareceu. Encontraram-no no momento certo. Eu entendo o que vocês sentem todos os dias, ela podia dar algum sinal que está viva, dizer o que se passou para fugir assim de repente, mas ela decidiu assim não podemos fazer mais nada.

Quando Ivã chegou a casa, pouco passava das vinte e três horas. Ligou a luz do seu hall de entrada e vagueou pela casa arrumada até às escadas que davam à sua arrecadação. E lá estava ela. Lá estava Lilia sentada na cama de casal que se encontrava no centro da arrecadação. Aquele sítio era uma espécie de quarto. Tinha uma cama, duas mesas-de-cabeceira e uma cómoda onde se encontravam vários retratos, entre eles dos pais de Lilia e outro da criança que vivia com eles. Lilia pegara no seu bloco de notas e escreveu Sempre estiveste com eles?

- Sim, estive. Ele está tão crescido, devias de o ver. O nosso filho está a tornar-se um homem.

Lilia começou a chorar.

- Não fiques assim, isto está quase a terminar! Em breve vais poder sair à rua e contar tudo o que aconteceu.

Lilia voltou a pegar no seu bloco de notas para escrever Tenho medo!

- Não precisas de ter! Eu vou estar sempre do teu lado. Adorava ter visto a cara do Guilherme quando descobriu que estavas viva. Aquilo que aconteceu com a Otávia deixou-o a pensar que ela lhe podia ter cortado o dedo, deve ter sido uma surpresa e tanto quando as impressões digitais eram afinal as tuas!

Lilia escreveu novamente no seu bloco E será que o Gustavo corre perigo?

- Não creio nisso! O Gustavo não pode revelar nada do que se passou nessa noite dado o estado em que o Guilherme o deixou. Isso torna-o inofensivo para ele. Mas não te preocupes, já estou a preparar outra para o deixar ainda mais assustado e começar a ter medo de ti. Assim que for tudo revelado ele estará preso e tu poderás finalmente aparecer sem medo do que possa acontecer. Agora descansa, eu vou dormir lá em cima hoje para o caso da minha prima aparecer por cá, sabes que quando ela está sozinha ela costuma querer dormir aqui.
Lilia acenou afirmativamente com a cabeça e deitou-se. Ivã podia ver o medo no seu rosto. Desde que acontecera aquilo que Lilia não conseguia falar e nunca teve coragem de ir à policia para que prendessem o verdadeiro psicopata que lhe fizera aquilo a ela e a Gustavo. Então Ivã subiu para o seu quarto e tentou dormir porque o dia seguinte iria ser novamente longo.

 

Não perca o 16º episódio, na próxima sexta-feira, para ler aqui no Fantastic e na página oficial do projeto, em www.facebook.com/pages/TOGI/277175702491216



Viewing all articles
Browse latest Browse all 14888