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TOGI - Capítulo 25

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CAPITULO 25
TOBIAS

Era véspera de Natal e como sempre Tobias foi passa-lo a casa de seus pais. Mal começaram as férias de Natal, Tobias apanhou o autocarro e foi para a terra, uma aldeia pouco povoada do interior do país. Embora só estivesse a sair de Lisboa naquela altura já sentia saudades do seu grupo de amigos, principalmente de Gonçalo e Otávia. Tobias tivera um semestre frenético cheio de novas experiencias que a sua aldeia no interior do país não lhe poderia proporcionar. Mas também sentia falta do silêncio da sua aldeia pacata, do sítio onde por onde passava tinha pessoas conhecidas com as quais poderia falar. Na cidade nada era assim. Apenas conhecia aqueles que conviviam consigo na faculdade onde estudava e alguns dos vizinhos do prédio onde tinha o quarto alugado.
    
Chegou a tempo de realizar as decorações de natal com a sua família. Ajudou o seu pai a cortar um pequeno pinheiro que se encontrava na mata atrás da sua casa. Levaram-no para sua casa e enfeitaram-no com luzes, fitas e bolas de natal que a mãe fora buscar ao sótão da habitação. Como ainda era de dia mas estavam ansiosos para ver como a árvore estava com todas aquelas luzes a piscar fecharam a porta e as janelas para poder contemplar toda aquela magia.
    
As prendas eram poucas, contavam-se pelos dedos das mãos, mas Tobias colocou-as ao lado do presépio. Para a sua família o importante não era o materialismo que se vivia naquela época, principalmente nas grandes cidades. Para eles o importante era ter a família unida. As prendas ficavam sempre para segundo plano. Já ia longe o tempo em que Tobias esperava ansiosamente pela meia-noite para que pudesse ver o pai natal entrar pela sua chaminé e lhe trouxesse muitos presentes. Mas a existência do pai natal caiu por terra quando tinha sete anos e abraçou o pai natal que na realidade era o seu pai.
    
Como sempre, a Dona Albertina e o marido muito cedo para casa de Tobias. Eram os vizinhos mais próximos e costumavam passar o Natal na casa dele. Iam sempre mais cedo para ajudar a preparar os doces de Natal. Faziam arroz doce, sonhos, rabanadas, filhoses, entre outros doces típicos da época. Enquanto preparavam os doces ouviam canções de natal e cantarolavam-nas.
    
Tobias deixou a cozinha e foi até ao seu quarto. Agora eram só cinco pessoas, mas há noite seriam cerca de quinze, pois mais familiares e vizinhos iriam chegar para passar ali a consoada. Portanto Tobias não iria ter muito tempo para desejar um feliz natal aos seus amigos que se encontravam em Lisboa ou em outros pontos do país. Primeiro telefonou para Gonçalo, o seu melhor amigo e colega de quarto. Era uma amizade bastante forte aquela que desenvolveram ao longo do primeiro semestre. A chamada foi rápida mas deu para entender a mensagem. Depois telefonou para o seu padrinho de praxe, o Ivo e de seguida para Afonso. Por fim telefonou para Otávia. Não sabia o que lhe dizer, as palavras não queriam sair.
    
- Olá! – Disse-lhe quando ela atendeu o telemóvel.
    
- Olá Tobias! Ainda agora foste e já estás cheio de saudades minhas? – Disse-lhe a rapariga na brincadeira.
    
Naquele momento Tobias agradeceu estar sozinho no quarto para ninguém ver a sua cara vermelha que nem um tomate.
    
- Liguei-te para te desejar um feliz natal, daqui a pouco vão estar aqui muitas pessoas e eu não vou ter tempo para ligar-vos por isso liguei agora.
    
- E eu a pensar que era por teres saudades minhas.
    
Tobias voltou a corar. Falaram pouco mais até ele se despedir e desligar a chamada. Sentia-se bem a falar com ela, queria estar com ela mas ainda não tinha ganho a coragem para lhe dizer, o que o deixava um pouco frustrado consigo próprio.
    
A noite depressa chegou e o resto das pessoas começou a chegar. Quando se sentaram à mesa a mãe de Tobias trouxe o típico bacalhau cozido acompanhado com batatas e couves. Antes de começarem a jantar todos rezaram pela refeição que tinham à sua frente. Tobias já não estava acostumado a rezar a cada refeição que faziam, na cidade poucos tinham esse hábito, mas na sua terra essa tradição ainda estava bem presente nas casas daquela pequena população. Depois do bacalhau veio o peru e depois todos os doces que os seus pais e os vizinhos tinham feito durante a tarde.
    
O resto da noite foi passado em convívio. Alguns familiares e amigos cantavam cânticos de natal, outros contavam piadas e outros riam-se delas. E assim passaram o resto da noite. À meia-noite foi a hora de abrir os presentes. Tobias recebera roupa e principalmente dinheiro, o que o deixava feliz por ter algumas poupanças para as suas despesas em Lisboa. E assim se passara mais um natal.


 
Não perca o 26º episódio, na próxima sexta-feira, para ler aqui no Fantastic e na página oficial do projeto, em www.facebook.com/pages/TOGI/277175702491216


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